estudantices


Perfil




Blig Amigos

Arquivos




13/12/2007 18:07

Um texto que não é meu IV

A terceira morte de Vera

Na primeira vez, Vera morreu sob tortura. Seu corpo frágil saiu do quartel da Polícia do Exército numa cadeira de rodas, mas a alma jazia despedaçada pela bestialidade dos carrascos. Exilou-se, mas uma dor permanente matou pedaços de seu largo sorriso.

Na segunda vez, Vera foi assassinada por um farsante. Um cineasta falastrão retratou os guerrilheiros que seqüestraram o embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969, como desequilibrados, maníacos e fanáticos. Os agentes da ditadura, torturadores inclusive, são humanizados, num contraste abjeto com suas vítimas. Bruno Barreto, diretor do abominável O que é isso, companheiro, falsificou a história e, assim, imolou Vera no altar da hipocrisia oficialista.

Na terceira vez, dizem que Vera Sílvia, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), sofreu um infarto e parou de respirar. Foi ontem. Para alguns, esta terá sido a terceira morte de Vera. Não acredito. A parada biológica não passa de uma transição para a memória, de um chamado para reanimar os sonhos libertários que incendiaram a imaginação de Vera e empurraram uma geração de revolucionários para a luta por um Brasil mais justo e fraterno. Por um Brasil socialista. Mesmo para os que, como eu, consideraram um equívoco a luta armada contra a ditadura militar nas condições objetivas e subjetivas dos anos 60 e 70, é essencial reconhecer a convergência estratégica e a legitimidade do combate ao terrorismo da ditadura militar. Isto, meus amigos, não é morte: é vida !

Um abraço

Jacques Gruman
enviada por Danilo



17/08/2007 10:37

Um texto que não é meu (III)

Esse texto é fantástico e achei por bem publicá-lo aqui.

PRESIDENTE, VÁ SE DANAR!
por Adriana Vandoni Curvo

Não sei se é desespero ou ignorância. Pode ser pelo convívio com as más companhias, mas eu, com todo o respeito que a "Instituição" Presidente da República merece, digo ao senhor Luis Inácio que vá se danar. Quem é ele para dizer, pela segunda vez, que tem mais moral e ética "que qualquer um aqui neste país"? Tomou algumas doses a mais do que o habitual, presidente?
Esta semana eu conheci Seu Genésio, funcionário de um órgão público que tem infinitamente mais moral que o senhor, Luis Inácio. Assim como o senhor, Seu Genésio é de origem humilde, só estudou o primeiro grau e sua esposa foi babá. Uma biografia muito parecida com a sua, com uma diferença, a integridade. Ao terminar um trabalho que lhe encomendei, perguntei a ele quanto eu o devia. Ele olhou nos meus olhos e disse:
- Olha doutora, esse é o meu trabalho. Eu ganho para fazer isso. Se eu cobrar alguma coisa da senhora eu vou estar subornando. Vou sentir como se estivesse recebendo o mensalão.
Está vendo senhor presidente, isso é integridade, moral, ética, princípios coesos. Não admito que o senhor desmereça o povo humilde e trabalhador com seu discurso ébrio. Seu Genésio, com a mesma dificuldade da maioria do povo brasileiro, criou seus filhos. E aposto que ele acharia estranho se um dos quatro passassem a ostentar um patrimônio exorbitante, porque apesar tê-los feito estudar, ele tem consciência das dificuldades de se vencer. No entanto, Lula, seu filho recebeu mais de US$ 2.000.000,00 (dois milhões de dólares) de uma empresa de telefonia, a Telemar. E isso, apenas por ser seu filho, presidente! Apenas por isso e o senhor achou normal. Não é corrupção passiva? Isso é corrupção Luis Inácio! Não é ético nem moral! É imoral!
E o senhor acha isso normal? Presidente, sempre procurei criar os meus filhos dentro dos mesmos princípios éticos e morais com que fui criada. Sempre procurei passar para eles o sentido de cidadania e de respeito aos outros. Não posso admitir que o senhor, que deveria ser o exemplo de tudo isso por ser o representante máximo do Brasil, venha deturpar a educação que dou a eles. Como posso olhar nos olhos dos meus filhos e garantir que o trabalho compensa, que a vida íntegra é o caminho certo, cobrar o respeito às instituições, quando o Presidente da República está se embriagando da corrupção do seu governo e acha isso normal, ético e moral?
Desafio o senhor a provar que tem mais moral e ética que eu!
Quem sabe "vossa excelência" tenha perdido a noção do que seja ética e moralidade ao conviver com indivíduos inescrupulosos, como o gangster José Dirceu (seu ex-capitão), e outros companheiros de partido, não menos gangsteres, como Delúbio, Sílvio Pereira, Genoíno, entre outros. Lula, eu acredito que o senhor não saiba nem o que seja honestidade, uma prova disso foi o episódio da carteira achada no aeroporto de Brasília. Alguém se lembra? Era início de 2004, Waldomiro Diniz estava em todas as manchetes de jornal quando Francisco Basílio Cavalcante, um faxineiro do aeroporto de Brasília, encontrou uma carteira contendo US$ 10 mil e devolveu ao dono, um turista suíço. Basílio foi recebido por esse senhor aí, que se tornou presidente da república. Na ocasião, Lula disse em rede nacional, que se alguém achasse uma carteira com dinheiro e ficasse com ela, não seria ato de desonestidade, afinal de contas, o dinheiro não tinha dono. Essa é a máxima de Lula: achado não é roubado. O turista suíço quis recompensar o Seu Basílio lhe pagando uma dívida de energia elétrica de míseros 28 reais, mas as regras da Infraero, onde ele trabalha, não permitem que funcionários recebam presentes. E olha que a recompensa não chegava nem perto do valor da Land Rover que seu amigo ganhou de um outro "amigo".
Basílio e Genésio são a cara do povo brasileiro. A cara que Lula tentou forjar que era possuidor, mas não é. Na verdade Lula tinha essa máscara, mas ela caiu. Não podemos suportar ver essa farsa de homem tripudiar em cima na pureza do nosso povo. Lula não é a cara do brasileiro honesto, trabalhador e sofrido que representa a maioria. Um homem que para levar vantagem aceita se aliar a qualquer um e é benevolente com os que cometem crimes para benefício dele ou de seu grupo e ainda acha tudo normal! Tenha paciência! "Fernandinho beira-mar", guardando as devidas proporções, também acha seus crimes normais.
Desculpe-me, 'presidente', mas suas lágrimas apenas maculam a honestidade e integridade do povo brasileiro, um povo sofrido que vem sendo enganado, espoliado, achacado e roubado há anos. E é por esse povo que eu me permito dizer: Presidente, vá se danar!

Adriana Vandoni Curvo é professora de economia, consultora, especialista em Administração Pública pela FGV/RJ.

E-mail: avandoni@uol.com.br
Blog: http://argumento.bigblogger.com.br/
Cuiabá / MT
enviada por Danilo



30/07/2007 10:07

‘Conceição: autor bom é autor morto’ (crítica)





Está em cartaz no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF) o primeiro longa-metragem produzido pela Faculdade de Cinema da UFF. O título foge bastante ao convencional, assim como toda a produção.
O filme narra a história de um grupo de produtores tentando idealizar – num bar, tomando cerveja – uma nova produção. Cada futuro autor imagina personagens incomuns – como um homem que tem seu pênis cortado e triturado enquanto fazia sexo; ou o estudante de escola pública, cujo pai trabalha vendendo fezes no camelô.
Cenas da futura produção se intercalam com imagens dos protagonistas num bar, criando seqüências confusas para o expectador em certos momentos.
De fato, é um filme cheio de significações que põem em questionamento a estética convencional do cinema moderno. A fotografia e os enquadramentos chamam a atenção e são pontos positivos do filme. Em contrapartida, algumas cenas são extremamente desnecessárias – como a que um personagem inventado pelos cineastas é mutilado.
Este é um bom filme. Bem produzido, sem falhas de roteiro, direção ou encenação. Entretanto, a sala vazia do cinema e as pessoas que se levantam durante a exibição são bastante compreensíveis.
enviada por Danilo



27/07/2007 15:51

Aos meus leitores assíduos

Desculpem a minha ausência. Ultimamente, por conta do trabalho, não tenho tido tempo de postar grandes coisas por aqui. Peço que compreendam – vocês também são (ou já foram) estudantes, sabem do que estou falando.

Beijos, para quem é de beijos.
Abraços, para quem é de abraços.

Danilo Motta

enviada por Danilo



27/07/2007 13:14

Minha experiência com Sonia Ota





Esses dias, no jornal onde trabalho, fui designado a entrevistar uma pessoa. Ela é uma artista plástica, aquarelista – Sonia Harumi Ota. Foi uma reportagem completamente diferente. Não pelo texto final, mas pela apuração.
Eu a conhecia apenas por telefone. Chegando na casa da artista, minha primeira impressão foi de uma pessoa extremamente fechada. Que nada! Sua humildade faz com que ela diga apenas o necessário para a continuação do diálogo e sua doçura faz com que a gente sinta aquela sensação de que o tempo pára. E suas pinturas? Ah!... Aquarelas mais singelas? Impossível... Até as pinturas mais abstratas são cheias de significações e gravam várias imagens em nossa mente.
Como não sou tão bom fotógrafo, tive que voltar à casa dela para fazer novas fotografias. Como é difícil fotografar bem quem trabalha justamente com a imagem, com a visão...
Bom, voltando lá, ela estava meio ocupada. Enquanto a esperava, sentado no sofá da casa, fotografei uma luminária que ela havia pintado. Aquele jogo de luz projetando a aquarela ficou divino no quadro fotográfico. Não resisti e mostrei a ela. “Olha, D. Sonia, a foto que eu fiz”. Ela ficou em silêncio por um tempo. Disse, baixinho: “ficou bonito, não?”, como quem se sente impressionado por uma obra de arte que nunca havia visto antes. Dito isso, saiu da sala em passos rápidos e dizendo “espera um pouquinho”. E volta a artista com mais duas luminárias. “Será que você poderia fotografar isso aqui também?”. “É claro”, respondi. E passei longos minutos fazendo experiências fotográficas com aqueles jogos de luz.
Sonia parecia satisfeita com os resultados. “Pode fazer com flash, agora? E se eu apagar esta luz aqui? E sem flash como fica?”. Era bela sua curiosidade pelo resultado das fotos. E pedir mais fotos era o seu jeito de dizer “estou gostando de ‘brincar’ disso”.
Pelo avançar da hora, tive que ir embora para o Jornal. Ao se despedir, Sonia me pergunta: “você gosta de doce?”. Respondi que sim e, com isso, recebi um saquinho de doce caseiro de tangerina. Agradeci e fui embora. Foi uma forma singela de recompensa pelo pequeno trabalho que fiz para ela – pois prometi reunir todas aquelas fotos em um CD e dar pra ela de presente.
Com é bom lidar com artistas! São sempre pessoas fantásticas, sempre com algo novo a apresentar. Como são boas as pessoas que possuem este impulso criativo e que têm o dom para arte!

enviada por Danilo



27/06/2007 15:35

Boa oportunidade para estudantes artistas

O Espaço Cultural Nippon está recebendo trabalhos de artistas niteroienses interessados em realizar exposições individuais no local. A mostra será gratuita para os visitantes e nenhuma taxa será cobrada do expositor. Serão aceitas pinturas de qualquer material (aquarela, óleo), fotografias, gravuras, caricaturas, dentre outras obras de arte.
Para participar, o artista deve enviar uma amostragem do trabalho a ser exposto para o e-mail contato@artbio.com.br com um pequeno texto de aproximadamente mil caracteres sobre o tema da exposição. A Assessoria de Comunicação do Centro Cultural fará uma análise do material e entrará em contato com o artista selecionado de cada edição. As obras devem ter, no máximo, 70 cm de altura, mas podem ter largura variável. O número de peças expostas também pode variar.
Cada exposição terá a duração de 30 dias e a confirmação com o artista se dará até o dia 10 do mês anterior ao da inauguração da mostra.
A oportunidade é dada a todos os aristas, não apenas estudantes. Entretanto, como é uma mostra gratuita e o Espaço Cultural Nippon não é muito badalado pelos “grandalhões das artes plásticas”, essa é uma boa oportunidade para o estudante lançar sua primeira exposição individual e mostrar o seu trabalho em uma galeria pública.
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 3021-2508. O Espaço Cultural Nippon fica na Av. Amaral Peixoto, 370, Centro - Niterói (anexo à Nippon Importadora).
enviada por Danilo



25/06/2007 14:46

Por mais cinco minutos sob os holofotes

Vejam esta informação divulgada pelo informativo@migalhas.com.br nesta segunda-feira:

“O juiz da 3ª vara do Trabalho de Cascavel/PR, Bento Luiz de Azambuja Moreira, suspendeu uma audiência trabalhista ao ver o reclamante, o trabalhador rural Joanir Pereira, usando chinelos de dedo. Para o magistrado, tal indumentária "é incompatível com a dignidade do Poder Judiciário".

É um absurdo ver como determinadas pessoas incumbidas de promover a justiça estão tão comprometidas com o ofício de afastar os trabalhadores de seus direitos. Será que foi para isso que o Dr. Bento foi aprovado em seu concurso público?
Sou radicalmente contra um juiz qualquer obrigar o reclamante a utilizar determinada roupa em nome da “dignidade do Poder Judiciário”. Não concordo que a justiça deve excluir os que não têm ternos, gravatas e sapatos Mr. Cat!
Está certo: o juiz apenas suspendeu a audiência, não deu nenhum parecer contrário a joanir na ocasião. Pode ser que na próxima, o juiz dê até uma sentença favorável ao trabalhador. Mas, a troco de quê o magistrado adia ainda mais a conclusão desse processo?
Certas autoridades fazem de tudo por um tempinho a mais sob os holofotes...

enviada por Danilo



15/06/2007 11:23

Um texto que não é meu (II)

Recentemente, fazendo uma busca no Google, acabei me deparando – acidentalmente, admito – com este belíssimo texto do jornalista Jorge Pontual. Apreciem: reflete a realidade de muita gente, naquele “pior dia da vida”.


Fumaça

Ele se aborrece por pouco. O motorista que avançou só para tentar atropelá-lo. A passageira do metrô que pisou no pé dele, de propósito. O chefe está de cara feia de novo, com certeza decidiu demiti-lo, afinal o vem perseguindo há tanto tempo, o pobre-coitado. Inveja. Porque afinal ele é um gênio, um talento enorme, incompreendido e ignorado. Mas esse mundo do jeito que está, é melhor mesmo não ser ninguém. Olha só as tais celebridades, que idiotas. Ele tem a cabeça cheia de idéias. Histórias... Deslumbrantes, que nem aquela do... Droga! Foi ou não foi por querer que esse garoto esbarrou nele? O que é que está olhando? Que gentinha. Melhor fugir pro seu mundo, tão cheio de poesia, música, arte.
Nossa, como o dia passou depressa, e ele ainda não terminou o relatório que o chefe pediu. Vai humilhá-lo, espera só, vai escrever um texto tão brilhante, tão arrasador, que o f.d.p... Não, o medíocre não merece tanto. Pérolas para porcos. Ahn? Sim senhor, já estou indo, claro, o senhor é quem manda...
Ai, como ele sofre, tanta humilhação. Mas um dia... Ele olha a fumaça do cigarro que sobe atravessada pelo sol da tarde e vê figuras coloridas, visões da glória que está ao alcance da mão. Amanhã.


Jorge Pontual

Retirado do site http://nyontime.blogspot.com/2005/06/fumaa.html .
enviada por Danilo



14/06/2007 11:05

Cotas pra que te quero

Li um texto no blog de um estudante conhecido meu e fiz um comentário que gostaria de publicar aqui também. O blog dele é: http://www.palavriando.blog-se.com.br/blog/conteudo/home.asp?idblog=14797 e o meu comentário:

Bom, sou radicalmente contra as cotas por vários motivos. As cotas, dentre outras coisas, legitimam que os Governos continuem não investindo em educação básica pública, gratuita, de qualidade e (na minha opinião, isso é vital) em tempo integral. Sem investimentos nos Ensinos Fundamental e Médio não adianta criar cotas: o estudante acaba entrando (em alguns cursos casos apenas, sem generalizar) sem base. Um cara que mal teve aula de química e biologia no colégio vai conseguir passar pelos primeiro períodos de Medicina? Não consigo crer nisso.
Estudo Letras na UFF; lá não tem cotas. O curso apresenta médias baixas no vestibular e, por isso, muitos estudantes carentes, oriundos de escolas públicas conseguem entrar. Entretanto, percebe-se que muitos não conseguem acompanhar bem os primeiros períodos, tamanho o número de xerox que cada um tem que tirar. Além disso, muitos acham complexos os textos a serem lidos, com um vocabulário que muitos nunca tiveram acesso. Imaginem como ficará a universidade se implantarem as cotas?
De fato, necessitamos de mecanismos que incluam os estudantes carentes na Universidade Pública, mas a cota – principalmente a amparada em quesitos raciais - não é o ideal. Defendo a criação de cursinhos pré-vestibulares populares, sustentados pelos governos, como forma de inserir o filho do operário na universidade.
Dá mais trabalho? Claro. Mas só assim o sujeito vai entrar na graduação com capacidade de sair (formado).

enviada por Danilo



31/05/2007 17:56

A decadentização de João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Ribeiro, na crônica “A decadentização da língua”, pulicada recentemente no jornal O Globo, afirma que o português vem sofrendo um certo processo de banalização por conta do grande número palavras que estão caindo em desuso. Em sua argumentação, entretanto, o escritor comete alguns equívocos.
O autor de “A casa dos Budas ditosos” inicia seu texto falando sobre a mutabilidade das línguas. Afirma que o idioma não é estável, inanimado e que as mudanças são perfeitamente compreensíveis. Entretanto, considera que as transformações atuais são exageradas e que podem acarretar na formação de um “dialeto primitivo”, com um número insignificante de palavras.
O que João Ubaldo desconsidera, é que na medida em que certas palavras vão caindo em desuso, outras tantas vão sendo criadas. Há alguns anos, ninguém imaginava o que poderia ser “escanear”, “clicar”, “downloadear”, isso para citar apenas os estrangeirismos que foram incorporados ao Português. Por fim, ao afirmar que “tínhamos uma língua própria antigamente”, ele reafirma sua postura de preconceito e de incapacidade de aceitar os neologismos.
A língua portuguesa, assim como qualquer outra, está sujeita às mutações, que acontecem de forma cada vez mais veloz no mundo contemporâneo. Os tradicionalistas, portanto, que se adaptem ao mundo contemporâneo, pois o contrário, de fato não acontecerá.

enviada por Danilo



24/05/2007 10:17

Um texto que não é meu

Pela primeira vez estou publicando neste espaço uma materinha que não é de minha autoria. Resolvi fazer isso porque acho importante os estudantes do Rio terem notícia do que acontece na USP por uma mídia alternativa à imprensa burguesa.



25 anos depois, estudante leva a mãe para a invasão
Pregando o apartidarismo, grupo invasor desdenha das entidades tradicionais de estudantes e dos líderes carismáticos
Novo movimento estudantil é bem diferente daquele da invasão da reitoria da USP de 82

LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL

E de repente, de surpresa, um novo movimento estudantil surgiu na Universidade de São Paulo. Ele tem uma cara mulata como não se via nos anos de chumbo da ditadura militar. Ele dá as costas às entidades tradicionais de estudantes, como a UNE, a UEE e o DCE-Livre. Ele desdenha de líderes carismáticos (em vez disso, todo mundo manda, e ninguém manda). Ele cultiva a sério o apartidarismo, quebrando a hegemonia política de partidos como o PT, PSOL e PSTU, que já foram manda-chuvas no pedaço. E, esquisitíssimo, ele faz questão de cuidar dos jardins com tanto esmero quanto da mobilização.
Esse novo movimento estudantil apareceu há 20 dias, quando 120 alunos dirigiram-se à reitoria da universidade para entregar um documento com reivindicações. Como não encontraram a reitora Suely Vilela, que estava viajando, resolveram invadir o local _assim, meio na louca. E a coisa começou a crescer, sem controle, e sem interlocutores.
União Nacional dos Estudantes, que foi presidida pelo atual governador José Serra nos idos de 1964, União Estadual, Diretório Central dos Estudantes e muitos centros acadêmicos, as organizações estudantis tradicionais nem são mencionadas nas conversas. Não existem para essa mobilização, senão como "obstáculos" que foram necessários ultrapassar. O aluno de letras Marcelo explica: "Eles foram contra a ocupação da reitoria e ficaram negociando nas nossas costas".

"Caminhando e cantando"

Ontem, o carro de som estacionado bem na frente da invasão tocava a trilha sonora do pessoal. "Eu sou a mosca que pousou na sua sopa" e "Plunct, plact, zum, não vai a lugar nenhum", as duas canções de Raul Seixas, alternavam-se com todas as músicas antigas de Chico Buarque, com especial destaque para "Apesar de Você", e "Pra não Dizer que não Falei das Flores", de Geraldo Vandré, hinos da resistência democrática nos anos do regime militar. Túnel do tempo?
Quem, há 25 anos, em 1982, quando a reitoria da USP também foi invadida, imaginaria um estudante levando sua mãezinha para ver como os companheiros se comportavam bem na luta? Pois foi isso o que o aluno Luiz, do segundo ano de história, fez: levou a mãe, conflito geracional nenhum, para checar como tudo estava organizado na reitoria, apesar da invasão. "Ela gostou muito do que viu", garante ele.
Ontem, em visita ao prédio ocupado, os estudantes que ciceroneavam a reportagem da Folha fizeram questão de mostrar os banheiros da reitoria. "Tudo limpinho, você está vendo", disseram. Estava mesmo. Os jardins internos do prédio, de tão bem cuidados, mereceram elogios do jardineiro responsável, que foi preocupado ao local só para checar as perdas e danos da invasão. Em vez disso, fez questão de parabenizar o aluno que o estava substituindo tão bem.
O pessoal faz cara de mau quando alguém da "imprensa burguesa" (como muitos consideram, por exemplo, a Folha) pede entrevista. Dura pouco. Foi só a comissão de mobilização avisar que mais uma assembléia ia começar para um grupo de jovens músicos (duas flautas doces, uma clarineta, um violino, um cavaquinho e dois pandeiros) começar a tocar "Se esta rua, se esta rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar". Foi a senha. Cinco grandes rodas concêntricas, formadas por adolescentes de mãos dadas, começaram a dançar. Então vieram um Caetano velho, ainda bucólico, "Asa Branca", de Luiz Gonzaga, e o hit "Apesar de Você", sempre ele. Aquecida pela coreografia, a assembléia, então, finalmente se iniciou.

Cama coletiva

Há muitos negros na invasão, como não se via na de 25 anos atrás. Se antes ingressavam na universidade 4.000 novos alunos por ano, hoje são 10 mil. Cabelões black de todas as formas, os universitários do grupo "OcupAção Afirmativa" refletem a abertura pela qual passou a USP no último quarto de século. Mas eles querem mais.
O politicamente ultracorreto domina. No amplo saguão que antecede a sala do Conselho Universitário, onde estão distribuídos os colchões em que os invasores dormem, tudo é de todos. A estudante Alba Marcondes explica: "Chegou, encontrou o colchão vazio, qualquer um, então pode se deitar".
O politicamente ultracorreto domina. No amplo saguão que antecede a sala do Conselho Universitário, onde estão distribuídos os colchões em que os invasores dormem, tudo é de todos. A estudante Alba Marcondes explica: "Chegou, encontrou o colchão vazio, qualquer um, então pode se deitar".
Todos comem a mesma comida, feita por outra comissão de alunos. Ontem, o cardápio do almoço foi arroz branco, batata cozida e lingüiça frita. Acompanhava um minicopinho (desses de café) de suco de caju. Ninguém reclamava.
E sexo? Luís conta que um velho militante de 25 anos passados, ao visitar a invasão atual, notou um certo ar "careta" nos meninos e perguntou "Pô, nem sexo, nem drogas, nem rock and roll? Que merda vocês estão fazendo?" Marcelo, aluno da escola de ciências sociais, emenda, pensativo: "A gente não sabe muito o que é ser rebelde. Só sabe que é contra o decreto do Serra. O resto, estamos aprendendo".

Clandestinidade

Lá fora, a USP, naquele que é o seu centro geográfico de poder, o conjunto da reitoria, parece o centro comunitário de um pedaço da periferia. O prédio em obras, o matagal crescendo nos canteiros do conjunto residencial (onde moram alunos carentes), as lonas improvisadas, proteção para a chuva, como em um acampamento de sem-teto, os pneus empilhados à guisa de barricada, as muitas pichações ("Ocupe a Reitoria que Existe em Você" é uma delas), uns tantos bêbados em volta, um pequeno comércio de doces e camisetas.
Os estudantes em tempos de democracia não gostam de mostrar rostos nem declinam nomes. Identificam- se por um prenome, às vezes confessando, antes que se pergunte, que é falso. Temem punições administrativas, que podem chegar à expulsão do quadro discente.
Há 25 anos, a ditadura ainda existia no país _era o governo do general João Baptista Figueiredo (1918-1999)_ , mas a confiança do movimento estudantil era tamanha que todos queriam aparecer. Um grupo de alunos do Instituto de Física, então uma das escolas mais ativas da USP, como lembra o ex-aluno Olavo Tomohisa Ito, 48, hoje professor universitário, fez questão de "tomar posse" da sala do Conselho Universitário, afixando, gigantesca, uma faixa com os dizeres "Espaço Marcelão", em homenagem a um colega que até pelo tamanho não conseguia se manter incógnito. Ninguém queria mais a clandestinidade.
Nesses dias de invasão, uma parte da turma de 25 anos atrás fez questão de ir ver como os meninos de hoje estão levando a coisa. Julio Cesar, ex-aluno de ciências sociais e atualmente na Faculdade de Educação, ontem ajudava o pessoal da comissão de alimentação. Outros da mesma época levavam doações de mantimentos.

-------------------------------------------------------------------

Minhas solidariedades aos estudantes da USP.
enviada por Danilo



17/05/2007 10:45

A difícil questão das universidades pagas

Recentemente, os professores da Universidade Candido Mendes (Campus Assembléia) entraram mais uma vez em greve. O motivo: atraso (em alguns casos, a falta) de pagamento. Este é um problema muito comum nas universidades públicas – tanto as federais quanto as estaduais. Entretanto, é de se estranhar que ocorra, também, em uma Instituição de Ensino Superior (IES) na qual os alunos pagam mensalidades.
Há quem coloque a culpa da falta de dinheiro para cobrir a folha de pagamento nos alunos inadimplentes. De fato, as universidades pagas, em sua maioria, apresentam altos índices de inadimplência, e é neste ponto que o sistema se encontra em uma sinuca de bico. Se a Reitoria proíbe os estudantes que estão em débito de freqüentarem as aulas, será chamada de mercenária e muitos entrarão na justiça. Por outro lado, se não faz sanções aos devedores, legitima que os que estão em dia deixem de pagar suas contas também.
Uma das soluções propostas é que todos os alunos tenham exatamente os mesmos direitos durante o período letivo, mas que só possam fazer a rematrícula se não tiverem dívidas com a instituição. Isso permitiria o acesso de todos às salas de aula, à biblioteca, aos laboratórios etc, e se evitaria que a administração da Universidade aumente as mensalidades a cada semestre sob a justificativa de cobrir as inadimplências. Vale lembrar que tais aumentos geralmente acabam gerando mais inadimplência, que por sua vez legitima novos aumentos, criando uma imensa bola de neve.
Muitos militantes estudantis defendem que a rematrícula é um direito que deve ser garantido a todos, sem exceção. Alegam, para sustentar sua argumentação, que as IES pagas recebem diversos auxílios do governo (vide ProUni e FIES) e não precisariam aumentar as mensalidades para cobrir a falta de pagamento por parte dos alunos. Entretanto, se os subsídios são realmente tão grandes que os dirigentes de universidades particulares não precisam se preocupar com o pagamento ou não das mensalidades, como se explica o fato de diversas instituições estarem à beira da falência? Há quem diga que são universidades sem nome no mercado, mas algumas PUC’s no estado de São Paulo passam exatamente por este problema. Alguém duvida que a PUC tenha nome no mercado?
O problema do ensino privado é muito maior do que a “simples” questão da mensalidade. Setores mais radicais da UNE dizem: “Particulares? Que explodam! Educação tem que ser pública!”. Mas experimentem explodi-las e milhões de estudantes e professores estarão na rua, totalmente desamparados pelo Estado.
A universidade paga não é a causa dos problemas. É uma conseqüência da total falta de comprometimento dos governos recentes com o ensino público brasileiro.

enviada por Danilo



03/05/2007 10:16

Que liberdade é essa?

Muito se fala, nos meios acadêmicos e na própria mídia, sobre liberdade de imprensa. O que o jornalista pode falar? O que não pode? Quais assuntos abordar e quais omitir? Ou ainda: é certo se omitir? Muitas questões surgem quando se toca no assunto.
É fato que os grandes veículos de comunicação impõem algumas restrições aos seus repórteres. Não divulgar notícias que possam prejudicar os anunciantes do veículo, ou não divulgar as falcatruas de um político que tem acordos com a direção do jornal são apenas algumas formas de se impor certa censura aos jornalistas. Entretanto, hoje em dia é possível – e digo até que é bem fácil – burlar esses embargos. Qualquer pessoa com acesso a internet pode, facilmente, criar um blog de conteúdo próprio. Neste espaço, o autor é repórter, editor, diretor, diagramador... Ou seja, não precisa se submeter à vontade de um superior para divulgar o que pensa.
Há quem diga que liberdade de imprensa é um direito arriscado na mão dos jornalistas – “uns inconseqüentes”, costumam dizer. Contudo, esse direito está condicionado a algumas leis. Se um jornalista divulga uma nota fazendo acusações a uma determinada pessoa – física ou jurídica – ele tem que ter provas de que tal informação procede. Caso contrário, poderá sofrer processos de calúnia, injúria e difamação, por exemplo.
O que eu quero dizer é que hoje temos o Poder Judiciário fiscalizando a ação dos meios de comunicação de forma a evitar abusos no uso desta liberdade que nos foi dada. Em 2004 surgiu a hipótese da criação de um Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), para fiscalizar a ação dos veículos informativos. Muitos jornalistas viram esta tentativa como uma forma de impor censura aos meios de comunicação. Houve muita manifestação, diversos jornais criticaram esta tentativa alegando, justamente, que o Judiciário já nos fiscaliza, não seria necessário um outro órgão fazendo o mesmo papel. É importante ressaltar, ainda, que o projeto foi proposto num período em que o Governo Federal estava recebendo duras críticas de diversos veículos. Coincidência, não?
A nossa Constituição Federal garante que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Com isso, se todos podem se expressar –assumindo o que dizem e se responsabilizando por isso – não há porque criar mecanismos além dos que já existem para cercear a liberdade de imprensa.

enviada por Danilo



26/04/2007 14:32

A quarta -feira foi de luta

Nesta quarta-feira os estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) saíram mais uma vez às ruas reivindicando uma solução para a questão da moradia estudantil. Há mais de um ano alunos provenientes de outros municípios estão acampados no campus do Gragoatá, pois não há alojamento na Universidade. Outro motivo da revolta dos estudantes foi a liberação de R$35 mil para a construção de um Café no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF). A quantia é mais que o dobro do valor gasto anualmente com a manutenção do ICHF.
O protesto começou às 8h em frente ao Restaurante Universitário – o Bandejão, que fica no Gragoatá. De lá, os estudantes passaram por todos os blocos do Campus convocando os alunos para a passeata, que seguiu rumo à Reitoria, onde acontecia o Conselho Universitário (CUV). Cerca de 150 estudantes participaram da manifestação, que foi a primeira atividade unificada do DCE-UFF, composto por quatro grupos diferentes.
No CUV estavam presentes, além do reitor Roberto Salles e do Vice Emmanuel, a bancada estudantil do conselho, o corpo técnico-administrativo, professores e diretores do instituto. Os estudantes invadiram a sala pendurando as faixas e cartazes pelas paredes, no intuito de pressionar o CUV a adotar uma solução para a questão do alojamento.
A proposta do movimento estudantil era a utilização do prédio da UFF que fica na Praça do Rink, no Centro de Niterói, para o alojamento dos estudantes. O espaço é hoje subutilizado por alguns núcleos da Universidade e, com algumas reformas, poderia abrigar até 120 alunos.
Por conta da demora do Conselho, muitos membros tiveram que ir embora. Com isso, no momento da votação não havia mais quorum e a reunião teve que ser encerrada sem uma solução. Os estudantes, então, ocuparam o Gabinete do Reitor.
Os moradores do Acampamento Maria Julia Braga estão acampados o Hall da Reitoria. A ocupação será realizada até que saia ou a autorização para a utilização do prédio da Praça do Rink ou alguma outra solução imediata para a questão da moradia estudantil.

enviada por Danilo



26/04/2007 12:36

Poder? Para quê?

Em quase todas as instituições políticas há disputas. Podem ser de interesses (patrões X empregados), de ideologias (capitalistas X socialistas), de classes sociais (ricos X pobres). Entretanto, uma outra disputa geralmente é escondida por todas essas: a disputa de poder.
Em diversos fóruns e espaços políticos, principalmente onde há votações, pode-se perceber que os participantes muitas vezes não votam de acordo com suas convicções, de acordo com aquilo que acreditam ser melhor para o grupo que representam. Dão um voto em troca de cargos, em troca de uma nomeação ou, na pior das hipóteses, em troca de dinheiro.
Um bom exemplo disso tudo é o documentário “Que porra é essa?”, que retrata o (mau) funcionamento do Congresso da UNE (Conune). O filme, produzido por estudantes da USP, mostra como os grupos chegam ao Congresso sem nenhum interessem em discutir o Movimento Estudantil, em discutir o que é melhor para o estudante. O curta mostra como o fórum vai se transformando num ringue de batalha, onde as lideranças de cada setor brigam (literalmente) por um cargo na diretoria de entidade, sem que haja, de fato, uma discussão de propostas.
Há quem diga: “é uma bagunça esse tal de movimento estudantil”. No entanto, esse movimento estudantil é apenas um reflexo do que se verifica na política nacional. “O poder corrompe as pessoas”, disse certa vez Heoísa Helena, a “Sirigaita das Alagoas” como a denomina Milton Severiano. Entretanto, não estaria ela atrás de palanque eleitoral, ao responder a socos e pontapés a acusação de um deputado na CPI dos Correios, realizada próxima as eleições? E, se o poder corrompe tanto as pessoas, por que esse salto do Senado à Presidência da República? Seria em nome de um amplo projeto político ou justamente em nome do poder?
De fato, nem todos os políticos agem em nome de reconhecimento, de um projeto pessoal. No entanto, esses são minoria – a minoria ideológica de nosso país. Se os políticos corrompidos pelo poder são justamente os que estão nas esferas mais altas da administração publica, cabe aos movimentos sociais se organizarem para cobrar que nenhuma instituição política brasileira vá por água abaixo.

enviada por Danilo



20/04/2007 16:33

Um piloto à moda antiga

Amauri Mesquita fala sobre as transformações no circuito automobilístico

Simpático e espontâneo, o ex-piloto Amauri Mesquita, de 66 anos, falou sobre sua carreira automobilística em uma entrevista coletiva concedida para os estudantes do 6º período de Comunicação Social da Universidade Candido Mendes (Ucam), em Niterói. Lá, respondeu perguntas sobre a evolução do automobilismo e sobre as dificuldades da modalidade no século passado.
Um dos pontos mais curiosos abordados pelo ex-piloto foi o papel da família na escolha da carreira. “Houve uma influência muito negativa, pois todo mundo era contra”, informou, gerando risos na platéia. Ele explicou que, na época em que começou a correr nas pistas do Rio de Janeiro, no início da década de 60, o esporte ainda não era profissionalizado e não havia muitos patrocinadores. Com isso, na maioria das vezes os próprios atletas tinham que financiar seus equipamentos. No caso de Amauri, os carros e as peças iam sendo comprados com o salário que ganhava trabalhando em uma agência de seguros.
A paixão pelo automobilismo foi despertada bem cedo. Aos quatro anos, guiou um carro pela primeira vez, usando apenas o volante e tendo os pedais controlados pelo seu pai. Aos seis anos conseguiu dirigir um carro sozinho pela primeira vez. E, aos dez, fugindo da rádio-patrulha, bateu em um poste, registrando o primeiro de muitos acidentes com seu veículo. A primeira colisão grave nas pistas ocorreu em 1968, um uma prova de Fórmula V, quando capotou seis vezes e foi cuspido do carro, que caiu sobre ele.
Sobre o advento das novas tecnologias nas pistas de alta velocidade, Amauri afirmou ser contra. “Mecanismos como o controle de tração e de marchas deveriam ser manuais. Assim, os melhores pilotos se destacariam”, afirmou. Apesar disso, ele não desqualifica os corredores de hoje. “É difícil comparar os pilotos de hoje com os do passado, pois cada um teve seu tempo e soube se adaptar às tecnologias da época”, defendeu.
Quanto a sua sucessão, ele disse que nunca incentivou seus filhos e seus netos a seguirem a carreira, pois acredita que deve haver vocação. “Entretanto, se algum parente meu demonstrar interesse, darei total apoio” afirma.
Hoje, Amauri é antigomobilista e possui uma coleção de carros antigos contando com 16 modelos diferentes. Apesar da última corrida oficial que disputou ter ocorrido em 1979, ele competiu em uma prova de carros antigos, em 1995 e afirma que ainda se sente em condições de participar de uma prova de longa duração, caso surja uma oportunidade.

enviada por Danilo



17/04/2007 12:10

'Mataram um estudante'

(ou ‘a matança como parte da rotina’)

Esta semana foi aberta com uma notícia de causar terror em muitas pessoas. Um estudante, supostamente sul-coreano, invade uma universidade na Virgínia, Estados Unidos, atirando em alunos e professores e suicidando-se em seguida, num episódio que vem se tornando comum nos EUA. Desta vez, foram 33 as vítimas fatais.
O fato reabre o debate sobre o porte de armas nos Estados Unidos. Especialistas afirmam que esses acontecimentos se repetem por causa do grande acesso às armas que os jovens têm. Michael Moore, em seu documentário Tiros em Columbine, mostra como é fácil conseguir uma arma de fogo em seu país – basta abrir uma conta em um determinado banco para ganhar um Rifle de brinde. Entretanto, essa cultura armamentista que os EUA possuem não é o fator principal para o registro de tantas ocorrências parecidas – foram 17 chacinas em universidades nos últimos vinte anos. Outros países – como o Canadá e a Suíça – possuem um número maior de armas por habitantes e lá não ocorrem essas tragédias.
O problema todo reside na doença social que contamina quase toda a sociedade norte-americana. O individualismo, a pressão do você-tem-que-vencer-sempre, o medo de se tornar um loser e o bombardeio da mídia com notícias da guerra, dentre muitos outros fatores, fazem com que os jovens necessitem de uma válvula de escape. Muitos partem para opções mais saudáveis, como as artes e os esportes. Outros, nem tanto. Drogas, violência, chacinas: tudo isso é o reflexo de uma sociedade paranóica.
O Presidente, por sua vez, mostra-se pouquíssimo interessado em combater o “terror que vem de dentro”, assim como não há interesse da própria sociedade em refletir os valores que lhes foram – e continuam sendo – impostos. E assim, o “American Way of Life” permanecerá matando estudantes por muitos e muitos anos.

enviada por Danilo



14/04/2007 13:05

Pelo direito de escolher

A legalização do aborto após uma consulta popular em Portugal – de quem um dia fomos colônia – fez com que o tema voltasse à tona no Brasil. Grande parte da população vem discutindo se seria correto do ponto de vista moral a prática abortiva no país. Entretanto, esta não é a questão principal.
A imprensa burguesa vem bombardeando a sociedade com opiniões a favor e opiniões contra o aborto, mas o debate é outro. O que se discute nas casas legislativas de todo o país é a realização ou não de um plebiscito sobre o tema.
Independente da posição que saia vitoriosa desta votação, é de extrema importância para a nossa democracia que o povo seja consultado antes de se sancionar uma lei tão importante quanto a do aborto. Por que hesitar tanto para a realização desta consulta? De que os poderosos tanto têm medo?
Se a legalização da interrupção da gravidez for aprovada, a classe política brasileira, em geral, ficará desmoralizada com a classe média mais conservadora e com as Igrejas Católicas da vida. Afinal de contas, onde já se viu perguntar esse tipo de coisa?
Se a prática abortiva continuar sendo proibida, aí são os movimentos sociais mais libertários que irão ficar de cara feia para os nossos políticos. Afinal de contas, por que não fizeram uma conscientização maior da importância da legalização?
É uma sinuca de bico. Eu, particularmente, sou contra o aborto, pois legitimaria que o Governo cessasse com os programas de incentivo aos métodos contraceptivos, já que, uma vez grávida, a mulher poderia retirar o bebê sem problemas. Entretanto, sou radicalmente a favor da realização deste plebiscito. De nada adianta eleger deputados e senadores que irão legislar independente da vontade geral da nação.

enviada por Danilo



11/04/2007 11:58

Que venham os calouros!

Entidades estudantis recebem os calouros na Candido Mendes

O semestre letivo começou e, como é tradicional, os veteranos receberam os estudantes dos primeiros períodos em suas salas de aula. Dentre as atividades, estavam a apresentação do DCE aos calouros e brincadeiras de integração em alguns cursos.
Os diretores do Diretório Central dos Estudantes Barbosa Lima Sobrinho (DCE-BLS) fizeram passagem em todas as todas as turmas de primeiro período da Ucam, independente do curso. Falaram sobre a importância da participação nos fóruns e atividades do DCE, sobre a necessidade de luta pelos direitos dos jovens e contra todas as formas de exploração. Os calouros receberam informações sobre como fazer a carteira da Biblioteca e a de Identificação Estudantil e conheceram um pouco sobre a história da nossa entidade.
Além dessas pequenas intervenções nas aulas dos primeiros períodos, o DCE elaborou e distribuiu um Manual do Calouro. Nele, continham informações sobre a nossa universidade, sobre a UNE e sobre a gestão Continuar Mudando, Sim! do Diretório.
No curso de Comunicação Social, o Centro Acadêmico Luiz Antônio Pimentel (Calap), entidade representativa dos estudantes do curso, realizou a Semana Calourada, com brincadeiras de integração e pintando os calouros, como é tradição em muitas universidades. Uma das atividades da Semana foi uma pequena palestra dada pelo Diretor de Comunicação da União Estadual dos Estudantes (UEE), Victor Vogel, que defendeu o apoio dos estudantes ao governo Lula e a participação da rede particular de Ensino Superior nos congressos da UNE e da UEE.
Além da recepção, o semestre começou com a campanha de doação de alimentos junto com a confecção das carteirinhas de estudante do DCE. Os documentos devem ser entregues até o fim do mês. Já os alimentos, estes foram todos doados para a instituição Casa Maria de Magdala, no Sapê, que ajuda no tratamento de pacientes portadores do vírus HIV.
enviada por Danilo



09/04/2007 13:48

Sonhos, desejos e algumas falhas de roteiro

Novo filme de Marcelo Santiago chega às locadoras

O filme “Sonhos e Desejos”, lançado ano passado nos cinemas, finalmente chega às locadoras. Dirigido por Marcelo Santiago, a história se passa nos anos 70, auge da ditadura militar no Brasil. Uma jovem estudante, Cristina (Mel Lisboa), tem um caso de amor com seu professor de literatura, Saulo (Felipe Camargo). Membros da luta armada, devem ficar confinados em um apartamento em Belo Horizonte para cuidar de um guerrilheiro ferido que deve ficar sempre com o rosto coberto (Sérgio Marone) para proteger sua identidade. Lá eles confrontam suas opções afetivas e políticas, que envolvem lealdade, traição e desejo e se envolvem em um confuso triângulo amoroso.
A produção é bastante simples, porém muito bem feita. O desenrolar do filme é de fácil compreensão, mesmo com pequenos furos no roteiro. A ação na qual o personagem de Marone se fere, por exemplo, é muito pouco explorada, deixando algumas dúvidas sobre o que realmente aconteceu no ato.
O jogo de cores é muito bem empregado durante todo o filme. As cenas passadas dentro do apartamento são todas coloridas enquanto do lado de fora, tudo é preto e branco. Essa diferenciação é usada para estabelecer um contraste entre o lugar seguro e cheio de vida, que é o que o apartamento representa para os personagens, e o “mundo lá fora”, sombrio e inseguro nos tempos da repressão.
A trilha sonora, de Wagner Tiso e Milton Nascimento, é um dos grandes pontos positivos do filme. Destaque também para a atuação dos três atores principais no longa-metragem.

enviada por Danilo



01/04/2007 21:30

UNE realiza 55º Coneg na UFRJ

Conselho é o maior da história da entidade

A União Nacional dos Estudantes (UNE) realizou entre os dias 30 de março e 1º de abril o 55º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg). O evento reuniu mais de 300 Entidades Gerais de todo o país no campus Fundão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi convocado para elaborar o regimento do 50º Congresso da UNE (Conune) que acontecerá em junho, em Brasília, além de aprovar alguns pontos políticos da diretoria.
O Coneg é um fórum do movimento estudantil que reúne um representante indicado por cada entidade geral filiada à UNE. São aceitos Diretórios Centrais de Estudantes (DCE’s); Diretórios Acadêmicos (DA) que representem mais de cinco cursos de graduação; Federações e Executivas de cursos; a União Estadual dos Estudantes (UEE) de cada estado e entidades estudantis municipais. Cada representante – ou delegado – têm direito a um voto apenas, independente do número de alunos representados por ele.
A plenária final do Coneg, onde todas as propostas formuladas nos Grupos de Discussão (GD’s) são votadas, ocorreu no sábado, dia 31. Após a discussão sobre alguns artigos, o regimento do Conune foi aprovado pro aclamação. Um dos pontos incluídos no documento foi a obrigatoriedade de eleição com voto em urna para a escolha dos representantes de cada universidade no próximo Congresso da UNE.
“A aprovação deste regimento significa que o estudante quer mais clareza na tiragem de delegados pro Congresso da UNE”, disse Louise Caroline, vice-presidente da União. Além da carta, foram aprovadas diversas outras propostas.
No domingo pela manhã, aconteceu o Conselho Estadual de Entidades Gerais (CEEG) da UEE de vários estados – como Rio de Janeiro e São Paulo. Após a plenária final do CEEG, a UNE realizou um ato político pela abertura dos arquivos da Ditadura Militar.
A manifestação aconteceu no terreno da entidade, na Praia do Flamengo, nº 132, onde funcionava sua sede até ser demolida pelo regime ditatorial há exatos 43 anos. O espaço foi invadido e ocupado pelos estudantes no dia 1º de fevereiro de 2007, durante a Bienal de Arte e Cultura da UNE, após a passeata da campanha “UNE de volta para casa”. Dentre os presentes no ato do dia 1º, estavam Gustavo Petta, atual presidente da UNE; o cantor e compositor Carlos Lyra; o Deputado Federal Renildo Calheiros (PCdoB/PE); a secretária de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia da Prefeitura de Niterói Jandira Feghali; ex-presidentes da UNE, dentre outras personalidades.


Confira algumas propostas aprovadas no Coneg
• Moção de apoio à luta pelo passe-livre;
• Moção de repúdio à reforma da previdência;
• Dia 10 de abril: Jornada nacional de mobilização contra a perda de direitos trabalhistas;
• Moção de apoio à anulação do Leilão da CVRD e pelo controle estatal dos recursos naturais;
• Moção de solidariedade à Agência Carta Maior;
• Moção de solidariedade à Cuba e pela libertação dos cinco heróis cubanos;
• Moção de apoio à luta dos inadimplentes pela garantia da rematrícula;
• Moção contra a intervenção de José Serra nas universidades estaduais em São Paulo;
• Contra a obrigatoriedade da Realização de Monografias em duplas ou trios, para que todos os estudantes, sem exceção, tenham direito à escolha de seu tema;
• Em defesa dos avanços que o governo Lula representa para a juventude e para o povo brasileiro;
• Criação de campanhas nacionais contra o jabá;
• Contra a redução da maioridade penal;
• Contra o corte de verbas para a saúde promovido pelo PAC.
enviada por Danilo



28/03/2007 11:43

Porto

Com aquele espanto da primeira dor
Talvez a segunda-feira
Quem disse?
Não sabia quantas vezes já sentira aquilo
Parecia algo novo
Mas não entusiástico
Não se lembrava de já ter contemplado
Aquela dor
Não sabia que aquilo se chamava
Desilusão

enviada por Danilo



28/03/2007 00:43

Por uma reintegração social

Diversos setores da sociedade civil se organizam através de Organizações Não Governamentais (ONGs) com objetivos e atividades diferentes. Um exemplo é o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas por Hanseníase, o Morhan. Com a função é lutar pelos direitos dos portadores da doença, o movimento, que existe em todo o Brasil, foi fundado em Niterói em 1998. De lá pra cá, vem desenvolvendo um grande trabalho de conscientização e esclarecimento da população.
Uma das principais bandeiras do Morhan é acabar com o preconceito contra os portadores de Hanseníase. A presidente da ONG, Jéssica Helena Teixeira Queiroz, de 21 anos, informou que uma vez iniciado o tratamento e o primeiro comprimido foi tomado, a doença deixa de ser contagiosa. “Uma das nossas prioridades é a buscativa de abandono de tratamento, que consiste na retomada do medicamento do doente até que esteja definitivamente curado”, disse a presidente. Segundo ela, o Brasil é o segundo país no mundo em casos de Hanseníase, atrás apenas da Índia.
Dentre as atividades organizadas pelo Morhan estão a organização de palestras em escolas para pais e alunos, assistência jurídica e psicológica oferecidas às pessoas atingidas e seus familiares. “Muitas pessoas acabam deixando de tomar a medicação por conta do preconceito que envolve a doença”, afirmou Jéssica. Quanto ao tratamento, este é gratuito. Entretanto, a ONG não oferece as medicações, que devem ser adquiridas em postos de saúde, já que o remédio não pode ser comercializado.
Mesmo sendo uma organização sem fins lucrativos, Jéssica Helena informou que falta auxílio da Prefeitura Municipal aos trabalhos do Movimento. “A Fundação Municipal de Saúde contribui apenas nos emprestando a sala que usamos, no Centro de Niterói”, explicou. A sede do Morhan Niterói fica na Av. Amaral Peixoto, 169, 4º andar.

enviada por Danilo



28/03/2007 00:41

E quem paga a conta?

Recentemente, verificou-se um grande rebuliço por conta da questão da segurança pública no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, tendo em vista a violenta morte do menino João Hélio, no dia 7 de fevereiro. Muito se discutiu sobre a redução da maioridade penal, sobre a legislação em vigor e sobre a ineficiência da polícia. Em todos os lugares alguém tocava no assunto: nos centros acadêmicos, nas mesas de bar, em conversas de família etc. Entretanto, alguns pontos importantes ficaram de fora em toda essa discussão.
Os meios de comunicação de massa, ao expor esse debate, o fazia cobrando maiores medidas punitivas por parte do Estado. No entanto, em nenhum dos grandes veículos da grande mídia foram avaliadas as questões históricas do nosso país – principalmente a partir da década de 90.
Os envolvidos na morte de João Hélio eram jovens entre 16 e 20 anos. Esta é a faixa etária da grande maioria dos envolvidos em crimes como o de roubo, furto e associação ao tráfico. Coincidência?
Não. Estes bandidos – se é que os podemos chamar dessa forma – eram criança em idade pré-escolar quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República. Nesta época, o sistema educacional público brasileiro já vinha sofrendo diversos ataques desde o início da Ditadura Militar, em 1964. Estes ataques foram reafirmados pelos oito anos de ajustes neoliberais (isto inclui corte de verbas para escolas e universidades públicas, além das privatizações) praticados pelo então Presidente e continuados pelo governo Lula, que cessou apenas com as privatizações. Com isso, não é difícil entender porque um jovem se lança na criminalidade.
Medidas punitivas? Por que não medidas preventivas? Abrir uma escola é fechar um presídio, já dizia o poeta francês. Por que não abrir escolas públicas e gratuitas para que as crianças em idade pré-escolar de hoje não fabriquem novos “João Hélios" no futuro?
É mais confortável, para a imprensa burguesa, botar a culpa de todo um sistema nos jovens da favela. Mais confortável porque atrairá a simpatia de uma classe média assustada. Direitos humanos? Não; cadeia aos criminosos. No entanto, que se divulguem as razões históricas deste fato! Porque não por em evidência os 12 anos de desertificação neoliberal pela qual passa o Brasil e que vem causando um João Hélio em cada esquina?
enviada por Danilo






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)